Além da mídia social

Cloud computing não resolve o problema sozinho

Durante muitos anos empresas investiram recursos no desenvolvimento de sistemas proprietários, fossem eles de gestão de conteúdo, administrativos, financeiros ou para gerenciamento de recursos humanos. Qualquer empresário que quisesse escalabilidade em seus negócios não poderia abrir mão de pensar em programas de computador (software) e, inevitavelmente, equipamentos para processamento (hardware). A internet mudou esse conceito, mas até aonde ela irá?

O conceito que toma cada vez mais adeptos é o de Cloud Computing ou Computação em Nuvem, justamente pelas facilidades que oferece na alavancagem de negócios.

Estruturas dos anos 90 não deixaram saudades

Pense na estruturação de uma empresa por departamentos e veja a quantidade de programas necessários nos anos 90: sistemas de planilhas, editores de texto, bancos de dados, sistemas financeiros, agendas…

Vinte anos atrás eu estava atualizando uma planilha de “Lotus123”, incluindo dados de materiais utilizados em uma obra. Na minha máquina, um 286 caríssimo (mesmo preço que um MacBook Pro), tinha um “Wordstar” e outros aplicativos, todos comprados e instalados.

Hoje, bastaria eu abrir uma conta no Google (até 10 usuários é de graça), fazer um formulário com as características que preciso e estar conectado para que tudo funcionasse. Poderia fazer de casa, no local do empreendimento ou de qualquer computador com custo acessível que estivesse com acesso a internet.

Cloud Computing: redução de investimentos e ganhos

Quando se fala em computação em nuvem, muita gente pensa apenas na redução dos investimentos em equipamentos, mas não leva em consideração outros ganhos indiretos como aumento de produtividade, segurança no armazenamento das informações, disponibilidade em qualquer ambiente, custos menores para uso de programas, produção colaborativa em tempo real e muitos outras.

Pequenas e médias têm mais a ganhar

Quem tem mais a ganhar com a utilização destas ferramentas em modalidade de nuvem são as pequenas e médias empresas, estas conseguem com pouca habilidade digital suprir a maior parte das suas necessidades.

Uma pequena fábrica em Roraima poderia muito bem ter um blog para falar dos seus produtos, incluir um meio de pagamento internacional, cadastrar seus consumidores para ações promocionais e enviar comunicados por e-mail com ofertas, tudo sem investir um único real em desenvolvimento.

O objetivo dessa fábrica hipotética sempre foi produzir e vender calças jeans tamanho plus size, o desenvolvimento de sistemas nunca fez parte dos planos da empresa.

Grandes empresas precisam de mais

Para grandes empresas acredito que a necessidade de personalização e integração com outros sistemas faça com que a nuvem não seja tão interessante. Bancos, por exemplo, são escravos de uma das linguagens de programação mais antigas, o Cobol.

Só ele aguenta segurar o tranco do gerenciamento das informações em tempo recorde todos os dias. A complexidade dos sistemas envolvidos e as conexões que tem com outras instituições fariam qualquer transição parecer absurda nesse momento.

Como você não é dono de um banco, acredito eu, deve estar pensando agora que Cloud Computing resolve todos os seus problemas. Engano seu!

Investimentos em sistemas deve migrar

Os investimentos que antes eram feitos em aquisição de equipamentos e programas, agora precisam ser redirecionados para o treinamento dos usuários, sim, o departamento de recursos humanos volta a ser foco.

De nada adiantará ter todas as ferramentas e facilidades se os profissionais das empresas não souberem tirar proveito e entender como essa dinâmica funciona. Não acredita em mim? Provarei!

Apenas utilizando ferramentas com versões gratuitas disponibilizadas é possível fazer uma pesquisa de mercado para saber como posicionar um produto (Mailchimp ou Google Apps), agendar reuniões (Google Agenda), disponibilizar conteúdo para consumidores (WordPress ou Google Sites), dialogar com influenciadores e fãs da marca (Twitter), agregar pessoas com interesses similares (Facebook), monitorar o que é publicado sobre assuntos (Google Alerts), pesquisar profissionais para contratação (LinkedIn) e muitas outras coisas bacanas.

Responda com sinceridade: você ou seus amigos/parentes/colaboradores sabem usar tudo isso ou estão ainda vendo a banda passar?

Parece bobagem, mas a maior parte das empresas que utilizam de computação em nuvem, por desconhecimento de seus gestores, acabam investindo em software proprietários para resolver problemas que já teriam soluções práticas. Antes de reinventar a roda, pense em aprender a girar ela do jeito certo.

Até mais!

Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

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Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, Marcelo Vitorino reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político

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