Além da mídia social

O uso de rede social digital em eleições funciona?

Marcelo Crivella entendeu o que o marketing político digital pode fazer, e usou as redes sociais para mobilizar militantes, combater crises de imagem e vencer a eleição contra um candidato muito forte na internet. O vídeo abaixo foi gravado durante o trajeto para a coletiva de imprensa. Mesmo eufórico pela vitória, fez questão de parar e gravar. Até o momento da publicação desse texto, ultrapassou 7 milhões de alcance e mais 1 milhão de visualizações. Clique aqui para baixar o case completo da campanha digital de Crivella.

Como Crivella usou o marketing político digital para falar com os eleitores indecisos

Em sua fanpage foram raros os momentos de reprodução de programa eleitoral, coisa que quase todo candidato faz e acha que está certo. Propaganda de televisão é baseada em repetição, portanto não se encaixa na cultura de consumo de conteúdo do eleitor conectado. Ele quer mais do que a televisão oferece.

Tive toda a liberdade para escolher a pauta, o formato, a linguagem e a periodicidade das publicações. Pude fazer exatamente o que ensino nos cursos presenciais ou online que dou, como o “Marketing político e eleitoral: a vez do digital“.

De olho no eleitor indeciso, que precisa de mais informações sobre a candidatura, quando cheguei tratei de banir as famosas frases motivacionais, fotos de caminhadas ou com poses forçadas. Raramente publicávamos algo assim.

Ao invés desse pacote, fizemos vídeos de todos os tipos, infográficos, canvas (se você estiver no celular, com o aplicativo do Facebook instalado, pode ver usando este link), 360, chamadas para propostas. Reforçamos o site. Intensificamos o combate aos boatos.

Com isso geramos conteúdos com mais de 5 milhões de acessos únicos em diversas publicações, acrescidos de uma quantidade gigantesca de compartilhamentos, comentários e likes. Até um clipe especialmente feito para disseminação pela internet foi gravado, e de tão bem avaliado foi parar na televisão.

Claro que eles não são uma métrica eleitoral, mas deu para fazer uma comparação com conteúdos “frios” publicados.

Com as publicações repercutindo bem, também fomos obrigados a lidar com ataques constantes vindos da militância adversária. Há quem queira o diálogo, mas preferimos o bloqueio aos detratores. Por mais que essa decisão tenha gerado insatisfação nas pessoas bloqueadas, foi necessária.

Com uma equipe pequena para relacionamento, é preciso fazer escolhas. Escolhemos dialogar com indecisos e apoiadores, não dando relevância para quem estava na página apenas para fazer críticas.

Também tive a oportunidade de treinar militância e agrupar apoiadores em ferramentas de comunicação. Freixo dizia ser robôs! Não eram… Eram mais de dez mil pessoas que acreditavam no candidato e que cumpriam as orientações. Por exemplo, toda a militância foi orientada para não atacar e nem responder a ataques de militantes adversários. Colocamos o foco no “acolhimento” das pessoas.

Fizemos um levantamento de todas as páginas e canais que tinham simpatia pela candidatura e passamos a enviar conteúdos. O Facebook cria uma espécie de bolha de conteúdo em que você passa a ver apenas determinadas coisas. Para contrapor essa condição, distribuímos conteúdos para influenciadores que não tinham ligação direta conosco.

Depois de nos posicionarmos bem na web, decidimos que deveríamos tomar a rua também. Daí veio a ideia de fazer um grande evento na Cinelândia, que era o palco principal do adversário. Em menos de uma semana conseguimos obter o resultado que pode ser visto no vídeo abaixo.

Nunca havia participado de uma campanha tão “perseguida”, com um volume tão grande de ataques e manipulações. A web teve papel fundamental nessa área. Foi por meio dela que conseguimos expor as edições de vídeos e desmentir acusações. Assista o vídeo abaixo e veja como o candidato avaliou o trabalho feito.

O que fica da experiência é: quando há liberdade para criar, a internet pode sim ajudar a construir um cenário eleitoral.

Case completo da campanha digital de Marcelo Crivella

Após a campanha, estruturei um case completo sobre a campanha digital feita para Crivella. Nele reuni informações estratégicas da campanha, lições aprendidas e também detalhei como ações foram realizadas.

O resultado foi um ebook com mais de 100 páginas de conteúdo que pode ser muito útil para outros candidatos ou profissionais de comunicação e marketing que desejem trabalhar com marketing político digital. Você pode baixar o ebook no endereço http://ebook.vitorinoemendonca.com.br/

Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

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Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, Marcelo Vitorino reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político

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