Além da mídia social

Por que sou viciada em cursos on-line. E você também.

No início do ano 2.000 fiz meu primeiro curso a distância. Era uma formação on-line gratuita sobre fluxo de caixa oferecido pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Considerando que eu era uma recém-formada com restrições orçamentárias, o conteúdo fez todo sentido. Com informações contextualizadas, aprendi, simulei e até hoje devo minha administração de fluxo de caixa, economia doméstica e empresarial à esse primeiro curso on-line (a despeito de ter frequentado um semestre a disciplina de administração empresarial na faculdade).

De lá para cá, posso me considerar uma adicta no formato. Muito devido à minha primeira experiência exitosa me tornei não apenas uma aluna frequente de cursos a distância, mas também uma profissional especializada no tema.

Como aluna, acumulo uma diversidade de cursos, com certificado ou sem certificado, o que busco é uma boa (in)formação “disponível quando eu estiver disponível”. Concluí uma pós-graduação em Antropologia e Desenvolvimento Cognitivo pela Universidade Federal Fluminense, em modalidade híbrida  – parte presencial, parte a distância. Sem sair de casa, terminei recentemente um curso de produção textual em língua francesa e um de 101 técnicas de base para gastronomia. Hoje, estou me preparando para uma prova do IELTS (International English Language Testing System) e na fila de espera para um curso de língua tcheca, por curiosidade linguística.

Ao contar minhas experiências positiva em cursos on-line a um amigo, ouvi que cursos a distância, em geral, “são uma roubada” e que isso “dá certo” para mim por que sou CDF. Na visão deles – e de muitas outras pessoas que conheço – , aprender só é possível fechado na chamada “sala de aula”.

O que ele não percebe é que todos nós, seres conectados, fazemos cursos on-line com mais frequência do que imaginamos e, se você se der conta disso, talvez repense preconceitos sobre cursos a distância.

Meu Google e YouTube de cada dia

Sabe aquela pergunta que você lança no Google? Ou aquele vídeo que você busca para resolver um problema cotidiano?
Vou confessar aqui os meus mais recentes:

  • como trocar pneu de carro?
  • como consertar máquina de lavar-louça?
  • como enviar encomendas pesadas mais barato?
  • comprando no e-bay?

A cada pergunta, recebi uma lista de respostas. Na teoria, aprendi a técnica, na pratica, resolvi minhas questões.
E não é para isso que serve um curso?

Não é para aprender algo que nos matriculamos em uma escola presencial ou a distância?

O que busco mostrar aqui é que todos nós fazemos um curso on-line. O formato faz parte do nosso dia a dia.

Isso nos leva a uma segunda questão. Vale a pena pagarmos por cursos a distância, considerando que há tanto conteúdo gratuito disponível?

Como escolher um bom curso?

Sim, há muito conteúdo disponível gratuitamente e com foco e criatividade você consegue criar um itinerário completo especialmente para você. (Essas dicas darei em um próximo artigo).

Mas existem temas específicos que valem a pena pagar pelo acesso ao conteúdo e, algumas vezes pelo certificado. É importante saber que bons produtores de conteúdo e de formação a distância investem tempo e dinheiro estudando e realizando pesquisas para proporem um curso com conteúdo de qualidade e/ou inédito, seja no formato, seja no tema, seja na metodologia.

Minha dica é, quando for comprar um curso, se sua busca é realmente aprender, diversificar seu currículo  e acessar um conteúdo de qualidade, pesquise primeiramente o nome do professor(a). Leia artigos já publicados, recorra ao LinkedIn, ao academia.edu e, se necessário, a outras redes.

Não estou defendendo que os celebs de mídias sociais são os melhores professores. Estou dizendo que para um especialista produzir um bom curso, ele estudou, produziu conteúdo, publicou, testou, palestrou. Com esse conjunto de ações, seu professor tem referências para você avaliar em ferramentas de busca.

Por outro lado, se o que você busca é simplesmente um certificado, cá entre nós, sabemos que nada disso é necessário. Escolha o nome da instituição que você está querendo o carimbo e forneça seu cartão de crédito. Nesse caminho, sugiro que não acredite na certeza de uma experiência de aprendizado incrível. Conheço instituições de renomes nacional e internacional, com plataforma ruim, conteúdo sofrível e professor apostilado.

Alguns cursos são vendidos com uma estratégia chamada “fórmula de lançamento”. A estratégia consiste em utilizar na sua divulgação dinâmicas de psicologia da escassez: por um longo período você é bombardeado de publicidade sobre o curso, sem possibilidade de inscrever-se. Particularmente não gosto desse recurso e fico desconfiada quando recebo algo desse tipo. Mas, realizando pesquisas, já acessei bons cursos. Então, para não cair na armadilha do preconceito e perder uma boa oportunidade, continua valendo a regra “pesquise o professor”.

Pra finalizar…

Deixei para o final dois lugares comuns que escuto com frequência trabalhando com educação a distância, seguidos da negação  “curso on-line?  isso não é para mim, porque:

  • “não tenho idade para isso”
  • “não tenho disciplina para isso”

Para o primeiro argumento, conto uma história pessoal. Recentemente liguei para o celular de minha mãe, ela não pode atender porque estava no computador terminando a prova on-line de seu curso a distância sobre Chás e Aromas. Ela tem 72 anos.

Sobre o segundo “obstáculo”,  se quando você tem interesse em um curso, você sai do seu trabalho, pega um transporte, encara o trânsito para não ir para e ainda consegue ficar sentado entre 2h a 8h, focado nas regras um instrutor, aproveito para dizer, meu caro leitor, disciplina você tem de sobra.

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Vale a pena pagar por conteúdo na internet?

Maíra Moraes

Maíra Moraes

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Doutoranda em Comunicação e Sociedade na Universidade de Brasília (UnB), pesquisa as relações de poder implicadas no processo de produção de notícias e como as realidades são construídas por meio de narrativas e práticas dominantes. É gerente de projetos certificada PMP®, especializando-se na implementação de metodologias híbridas (presencial e a distância) de educação em redes públicas estaduais e municipais.

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