Além da mídia social

Escolas do século 19, alunos do século 21

Instituições de ensino estão com um belo problema na mão, alunos conectados em rota de colisão com professores sem a menor intimidade com a internet e os novos caminhos da comunicação. Não é preciso pensar muito para notar que a maior parte dos métodos educacionais não previa a liberdade de comunicação que a mídia social possibilitou.

Os “adultos em treinamento” de hoje são muito mais impactados por estímulos visuais e cognitivos do que há 20 anos. Se comunicam mais, com mais pessoas, em diversos canais, produzem, interagem e adquirem conhecimento de muito mais fontes, tudo isso em uma velocidade muito diferente da evolução dos professores.

Escolas e pais: responsabilidades diferentes

É natural que os mais jovens adotem novas tecnologias com mais facilidade, mas o que farão os professores e orientadores? Qual o papel das escolas diante do uso de redes sociais? Como ficam os pais?

Sempre acreditei não haver uma divisão operacional entre instrução e educação, mas há sim a divisão de responsabilidade, onde cabe as instituições educacionais instruir e aos pais educar.

Antes, o que acontecia na escola fica sob a tutela da direção da mesma, que detinha instrumentos que regiam a conduta dos alunos.  Com o avanço do meio digital, o princípio da territorialidade deixou de existir. O aluno pode estar no meio de uma aula de matemática enquanto comenta algo no perfil do Facebook de um colega.

Escolas podem punir má conduta de alunos em redes sociais?

Caso esse mesmo aluno esteja em casa, usando seu computador, e ofenda um colega em ambiente digital, ele poderia ser punido de alguma forma pela escola?

Nos Estados Unidos uma escola expulsou um aluno por escrever palavrões em seu twitter. Um outro aluno, na Califórnia, foi suspenso por chamar de “gordo” um professor em suas redes sociais.

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Por outro lado, em uma decisão da justiça americana, duas alunas que foram suspensas por publicar fotos sensuais tiveram suas suspensões revogadas, o juiz entendeu que a escola estaria violando a liberdade de expressão das jovens e que a acusação de “desonra” era vaga.

Separei algumas menções com o termo “professor” em uma olhada rápida pelo Twitter:

Instruir deveria ser prioridade

Ainda com o papel de instruir, vejo que diante de novas formas de comunicação, as instituições deveriam incluir conteúdo sobre o uso de redes sociais e demais ferramentas digitais em sua grade escolar de forma presencial ou à distância.

É muito fácil e cômodo punir o aluno que desvia da conduta desejada pela escola, quando o mesmo deveria ter sido, primeiramente, bem instruído. Boa parte dos jovens não tem a dimensão do que a exposição pode fazer em suas reputações, ainda estão em fase de aprendizado social.

Manual de conduta e boas práticas

Também seria interessante que a escola desenvolvesse seu próprio manual de conduta, incluindo boas práticas, glossário de termos, explicações sobre ferramentas e regras para uso em ambiente escolar.

Qualquer instituição pode sim determinar o tipo de conduta aceitável por um aluno que resolva estudar lá, podendo inclusive solicitar a saída do mesmo, em casos de transgressões repetidas. Basta tornar isso claro e de conhecimento geral, incluindo para os pais ou responsáveis pela educação do jovem.

Pais  e corpo docente também devem receber orientação

Os pais também devem receber orientações, pois cabe a eles o acompanhamento do que acontece com os filhos. Palestras com psicólogos para que entendam o comportamento em ambiente digital e profissionais de internet para conhecerem ferramentas e a linguagem, podem ser uma solução viável.

A última variável da educação é o corpo técnico da escola. Sim, educadores precisam entender o mundo digital, até mesmo, para saber como reagir diante da garotada conectada.

Professores devem entender melhor como a comunicação acontece na internet, como tirar proveito das ferramentas, como produzir conteúdo para a geração Y de forma que entendam melhor e também como lidar com conflitos.

Professores conectados, frutos garantidos

Há muito a ganhar quando professores adentram o mundo da web, posso citar o caso do Salman Khan, matemático indiano que dá aulas de diversas disciplinas em seu canal no Youtube e que recebeu incentivo financeiro de Bill Gates para continuar o projeto.

Os recurso visuais utilizados são extremamente simples, mas muito eficientes ao explicar equações e conceitos complexos. Até o momento que escrevi esse artigo, o canal contava com cerca de 144 milhões de acessos. Se tiver interesse, acesse: http://www.youtube.com/user/khanacademy

No Brasil também temos expoentes, o catarinense Michel Goulart, da cidade de Criciúma, escreve o ótimo blog História Digital. Uma excelente mostra do que um profissional capacitado e conectado pode fazer.

Resumindo, escolas, professores, alunos e pais precisam, o quanto antes, dar uma repaginada nas ideias, entender que a educação precisa agregar novas ferramentas e ter a internet como aliada. Não dá para esconder a web dos jovens, negar o acesso e punir aqueles que sequer foram instruídos. É preciso olhar para frente antes que fiquemos para trás.

Até mais!

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Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

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Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, Marcelo Vitorino reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político.

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